Os mudejar de Castela praticavam seus ritos fúnebres da mesma forma que o resto dos muçulmanos

Os mudejar de Castela praticavam seus ritos fúnebres da mesma forma que o resto dos muçulmanos

Via Agência Sinc.
Durante a reconquista, aqueles muçulmanos que preservaram sua religião e permaneceram nos territórios já conquistados pelos reinos cristãos foram chamados Mudéjar. Num estudo que utiliza fontes escritas da comunidade mudéjar, foi demonstrado que, ao contrário do que se pensava, os mudéjar não eram muçulmanos em declínio nem tinham perdido a naturalidade devido aos contactos constantes com a comunidade cristã. É o que afirma a pesquisadora Ana Echevarría, da Universidade Nacional de Educação a Distância. "Alguns pesquisadores sempre consideraram os Mudejars como muçulmanos em declínio, mas não foi esse o caso”.

Com as análises realizadas por várias equipes arqueológicas nos cemitérios de Ávila e Toledo, Echevarría verificou que os rituais eram realizados exatamente conforme exigido pela lei islâmica. Ao lado dos cemitérios onde se encontram os restos mortais de mais de 3.000 muçulmanos da época, há também registros de uma irmandade islâmica relacionada à Mesquita das Tornerías, em Toledo, que se refere exclusivamente à forma como o enterros.

Apesar de ser na Andaluzia que se pensa que se encontra a maior parte das fontes documentais, por se tratar dos últimos territórios conquistados, é curioso saber que a maior parte das fontes se encontram no centro-norte de Castela.

Os Mudejars foram autorizados a manter sua religião e regras, mostrando a tolerância do reino de Castela para com as práticas islâmicas. No entanto, no discurso real sua conversão se destacou, e Echevarría a qualifica. "Uma coisa era a mensagem de propaganda dos reis e a realidade da população do reino era outra, com a necessidade de regulamentar a existência de diferentes grupos humanos nas localidades, com evidente interesse econômico”.

Outra descoberta do estudo é a bilinguismo dos Mudejars. Em geral, os Mudejars falavam a língua românica do reino que habitavam e apenas os mais educados falavam árabe. No século XV, as elites islâmicas castelhanas demonstraram o seu conhecimento desta língua, no entanto, o resto da população teria níveis difíceis que seriam difíceis de descobrir.

Apesar disso, numa época em que a transmissão de conhecimentos por via oral era de grande importância, esta poderia ser sua principal forma de propagação. "Parece que os documentos dos escribas das comunidades castelhanas foram escritos em árabe dialetal andaluz e não em árabe de culto clássico, o que mostra um importante impacto da oralidade.”Diz Echevarría.

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